sexta-feira, 29 de agosto de 2014

CAPITULO QUATRO: MISSÃO




O Makay é um mundo maior do que você pode imaginar. Digo isso com propriedade, afinal sou morador daqui. Existem camadas maiores, menores, camadas dentro de outras camadas onde habitam criaturas microscópicas – algumas destas são destruídas diariamente com um simples pisar dos pés, por criaturas que nem fazem ideia de sua existência. Por falar nisso, desde o momento em que nosso bravo herói Sharpedo Dealexo começou sua jornada, o mesmo pisou em cinco dessas camadas microscópicas, destruindo a vida de cerca de dois bilhões de criaturinhas em cada uma delas. Ao mesmo tempo, já foram criadas duas novas camadas através de fatores naturais, como a rotação espiral da estrutura do Makay – algo como terremotos na terra. Outras três foram destruídas devido a batalhas, conflitos internos, e ao acasalamento de dois besouros extraordinariamente gigantes, que espero que nossos heróis não se deparem com nenhum durante a jornada. 

Há uma camada em especial muito secreta onde uma antiga família de assassinos instalou-se, talvez há centenas de anos, e fez dela sua fortaleza. Não se sabe exatamente onde está situada na estrutura do Makay. Alguns conspiracionistas apontam as camadas mais rebaixadas e frias como o lar dessa família. Dizem que, no lugar de grama, crescem espinhos em seu chão que são regados diariamente com o sangue de várias criaturas que são ceifadas dia após dia pela família e o que sobra desse sangue escorre na forma de um longo rio pútrido que cheira a morte e desgraça, desaguando na forma de uma cachoeira por uma das saídas do Makay em direção ao espaço. As crianças que ali nascem aprendem a arte do assassinato antes mesmo de aprenderem a escrever. Com o passar dos anos, se especializam em uma determinada arte de matar dos mais variados jeitos possíveis (alguns tão medonhos que tenho até medo de escrever e causar traumas a quem poderia estar lendo). Uma dessas crianças vindas desse local tão profano e obscuro partiu em uma missão para obter a aprovação de seu clã. Um rito que cada membro da família deve passar para mostrar que é digno de receber o ofício de assassino. O caso dessa criança era especial, pois ele possuía sangue real em suas veias e seria o herdeiro daquele lugar um dia, então, por precaução, a lei exigia que alguém experiente o acompanhasse na sua missão.
 - Tael, seu bostinha! O que eu falei sobre se aproximar de outras pessoas durante a missão? – Gritou um Yokai de pele esverdeada com algumas escamas pelo corpo.
- Desculpa, Tio... Eu só queria conversar com o tubarãozinho. 
Tael desce, ainda em forma de pombo, e faz reverência ao seu tio.
- Vamos, saia dessa forma e continuemos nossa caminhada. Já me livrei de todo o rastro que você deixou. Para sua sorte não precisarei matar aqueles dois.
- Está bem, Tio. Não irá se repetir! – responde Tael, voltando à forma de Yokai.
Essa criança era Tael Uzumaki e o homem que a acompanhava era Noel Uzumaki, ambos do clã Uzumaki.
 Vinham de uma jornada que já durava um mês. Eram assassinos ágeis e velozes e deslocavam-se como a luz ao amanhecer. Em questão de segundos, já estavam muito a frente daquela camada onde Sharpedo estava.
Na saída da camada havia um grupo de aventureiros prestes a descansar depois de um dia árduo de trabalhos. 
- Olha, Tael... Tem uns vacilões ali... Por estarem descansando na saída da camada, já devem ter conseguido o que queriam. Vai lá e rouba eles!
- Tá bom, titio... Vou tirar onda desses puto mesmo.
Tael transforma-se em pombo e desloca-se para perto do bando. Aparentemente, tratava-se de um grupo de nível mediano. Sem ninguém especialmente forte e notável que pudéssemos mencionar aqui, com exceção de um ladino que vigiava as barracas enquanto os demais dormiam. Tael nasceu no meio de muita gente ruim, e podia ver de longe que aquele cara era diferente dos outros. Pousou em um galho atrás das barracas, tudo estava indo conforme planejado em sua mente, sem chamar a atenção do vigia, transformou-se em Yokai e aproximou-se das barracas. 
- Vou começar fazendo o ''cata'' nos que estão dormindo – pensou ele. 
Para sua infelicidade, os pálidos homens não tinham nada em seus bolsos. 
- Mas que bela bosta... Esses retardados não têm nada. Vou tentar pegar o que der dentro das barracas.
Enquanto passava entre os corpos, acidentalmente pisou nas bolas de um gordinho que dormia. ''Fudeu'', pensou ele, esperando que o mesmo gritasse de dor e acordasse a todos. Para sua surpresa, o gordinho nada fez, e isso chamou a sua atenção.
- Acho que esses caras estão pálidos demais pro meu gosto...
- Sim, eles estão! – Fala o vigia, que estava esperando para realizar a emboscada.
Tael transforma-se em pombo para fugir e no exato momento em que faz isso, o ladino puxa de seu casaco uma besta armada com uma rede de espinhos. Atira na direção do pombo e o captura. 
- Filho da mãe. Por que não estou conseguindo quebrar essas correntinhas?
- Poupe-se do trabalho de tentar quebrá-las... São mágicas! Então quer dizer que você se transforma em pombo? Nem acredito que capturei um Uzumaki! A grana que pagam pela sua cabeça nem se compara ao tesouro que eu roubei desses caras aqui... Hahahaha!!
- Você não só os roubou como também os matou... Logo vi que você era um cara mau.
- Xiu ai, manezão. Tu ia dar o bote e acabou tomando ele... Hahaha! Mas eu não te culpo por isso. Afinal, você é apenas um amador.
Dito isso, uma adaga prateada atravessa o peito do ladino, de maneira que nem mesmo Tael poderia esperar. Era Noel Uzumaki, que misteriosamente aparece nas costas do bandido e lhe defere um ataque furtivo. Rapidamente retira mais três adagas de sua mochila, o derruba no chão e encrava as mesmas em seus membros, a ponto de prendê-lo naquele lugar.
- Você ainda vive mesmo após eu dilacerar o seu coração, quem és tu? – Grita Noel.
- Eu sou um velho experiente, Noel... – Responde o ladino, com olhar sádico. – Então vejo que agora são dois Uzumakis, o dobro do valor!
Noel pega a rede com Tael dentro, toma distância e joga mais duas adagas no corpo do ladino preso ao chão. Dessa vez, ele mira uma no meio do peito e outra na barriga. As adagas encravam e começam a brilhar, como se aquelas posições fizessem parte de um ritual. Retira Tael de dentro da rede e ele volta à forma de Yokai.
- Tio, desculpe pelo descuido. Por favor, não relata ao papai! Por favor, por favor, te imploro! 
- Tael, você não teve culpa, esse cara não é quem aparenta ser... Mas eu que não pago para ver.
Retira então uma última adaga, essa tinha cor amarela, parecia ser banhada a ouro, e a lança para o alto, mais especificamente para cima do corpo do ladino no chão. Esta última toma distância, indo na direção do sol. Após um tempo, desce na forma de uma bola de fogo gigante.
- PUNIÇÃO DO DEUS DO FOGO! – Grita Noel.
Seu ataque acerta em cheio o corpo do ladino, como se este tivesse se tornado um alvo depois daquele ritual. Seu corpo começa a ser obliterado em chamas e Tael consegue observar alguns de seus ossos entrando em combustão enquanto seu sangue evaporava. 
- Titio, você usou um dos seus ataques mais poderosos. Você vai ficar cansado agora... Isso foi realmente necessário? – Pergunta Tael, apreensivo com aquela situação. 
- A adaga de prata que perfurou o coração dele finda a vida do oponente, seja ele quem for. É a habilidade dela. Foi-me dada por meu irmão, seu pai, para que pudesse usar numa situação de risco real envolvendo VOCÊ. Eu acertei o coração dele e, mesmo assim, o filho da puta continuou respirando – responde Noel, expondo certo nervosismo. 
Ignoraram o tesouro que havia naquele acampamento de homens mortos. As adagas jogadas por Noel no começo evaporaram e reapareceram em sua mochila. Apagaram seus vestígios e fugiram imediatamente. 

Quando já haviam sumido no horizonte, sem deixar pistas, o corpo carbonizado do ladino começa a se mexer. Uma cena grotesca, como naqueles filmes apocalípticos de zumbis que exibem num planeta chamado Terra (em outra dimensão). Ele devora os corpos dos homens que havia matado antes de forma canibalesca e, à medida que consome a carne deles, seus órgãos começam a se regenerar, assim como seus músculos e por fim sua pele. 
- Que sorte a minha... Dois Uzumakis saíram do ninho... 454HAHhhahahHA4454HEHheHEHehHSHAHah
O assassino começa a andar em passos leves em direção ao horizonte, e sua risada fica mais sádica e alta a cada passo dado.


(...continua?)

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